Concerto de Natal

Outra forma de narrar as origens

Quando o Senhor Deus fez a terra e o céu, não havia um único arbusto sobre a terra, nenhuma erva germinava, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar. Mas a água nasceu da terra e embebeu todo o solo. Então o Senhor Deus modelou o homem com a poeira tirada do chão; insuflou-lhe nas narinas o sopro da vida, e o homem tornou-se um ser vivo.
O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e aí colocou o homem que havia modelado. O Senhor Deus fez crescer do solo toda a espécie de árvores maravilhosas e com frutos saborosos: também havia uma árvore da vida no meio do jardim, e uma árvore do conhecimento do bem e do mal. O Senhor Deus conduziu o homem ao jardim do Éden para ele o cultivar e guardar. O Senhor Deus fez ao homem este aviso: «Podes comer os frutos de todas as árvores do jardim; mas não poderás comer da árvore do conhecimento do bem e do mal; porque, no dia em que comeres, serás condenado a morrer.»

O Senhor Deus disse: «Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma ajudante semelhante a ele.» Com a terra, o Senhor Deus criou todos os animais dos campos e todas as aves do céu, e colocou-os junto do homem para ver que nomes este lhes daria. Eram seres vivos e o homem deu um nome a cada um. Então, o homem deu os seus nomes a todos os animais, às aves do céu e a todos os animais dos campos. Mas não encontrou nehum ajudante parecido com ele. Então o Senhor Deus fez cair sobre ele um sono misterioso, e o homem adormeceu. O Senhor Deus tirou uma das duas costelas e voltou a fechar a sua carne. Com aquilo que tirou do homem, formou uma mulher e trouxe-a para junto do homem.
O homem então disse: «Esta é verdadeiramente osso dos meus ossos e carne da minha carne! Chamar-se-á: mulher. Por sua causa, o homem deixará o seu pai e a sua mãe, juntar-se-á a sua mulher, e os dois farão um só.» Os dois, homem e mulher, estavam nus, e não sentiam qualquer vergonha um diante do outro. (Gn 2, 4-25)


Porquê duas narrativas de criação?
O Génesis começa por duas narrativas da criação. A primeira mostra um Deus "maestro de orquestra". Ele executa metodicamente a sua obra de criação, e apenas com a sua palavra faz aparecer todas as coisas. A segunda, mais antiga, mostra um Deus artesão, que planta um jardim sobre a Terra e forma o ser humano com as suas próprias mãos, com a argila do solo. Estas narrativas de estilo diferente contam coisas essenciais sobre as origens do mundo e, como tal, julgou-se bem guardá-las. A primeira considera o conjunto do universo, enquanto que a segunda insiste mais sobre a Terra e o ser humano que a cultiva.

Éden - Esta palavra vem de uma lingua antiga, o sumério. Edin significa planície, terreno fértil. É um lugar simbólico, que não podemos situar geograficamente. Designa o jardim perfeito e idílico que Deus ofereceu a Adão e Eva. Hoje, esta palavra permanece na linguagem corrente para designar um lugar paradisíaco.


O Sopro da Vida
Segunda a narrativa bíblica, a criação do ser humano por Deus fez-se em dois tempos. Tal como um oleiro, Deus começa por «modelar» uma forma com a «poeira da terra». O ser humano pertence à terra, e isso é para ele um limite incontornável. Num segundo tempo, Deus comunica-lhe directamente o seu próprio «sopro de vida» para o tornar um «ser vivo». O ser humano também pertence a Deus porque partilha o seu sopro de vida.


Os frutos proibidos
A ideia da árvore do conhecimento do bem e do mal e da árvore da vida não é nova. Vem, certamente, de outras narrativas, mais antigas, em particular das babilónicas. Entre este povo, fala-se de uma árvore da verdade e de uma árvore da vida à entrada do céu. Para os autores da narrativa bíblica, a árvore da vida dá a imortalidade, e Deus proíbe o homem de comer os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não porque este conhecimento seja mau, mas o problema é o bom ou mau uso que o homem fará desse conhecimento.

Homem e mulher, qual é a diferença para a Bíblia?
No centro da obra de Deus, está o ser humano. A primeira narrativa da criação utiliza o termo «Adão», palavra que desiga a espécie humana em geral. Macho e fêmea pertencem a uma só e única humanidade e são iguais em dignidade. Imaginando que Deus forma a mulher a partir de uma costela do homem, a segunda narrativa diz a mesma coisa: os dois são tecidos da mesma humanidade. Nos dois casos, o homem e a mulher são postos em relação e definem-se pela atracção que têm um pelo outro.


Adão, o primeiro homem?
"Adão" é uma palavra derivada da palavra hebraica adamah, que significa "a terra". Com efeito, Adão não é nem um nome próprio nem um nome de família; é um nome comum.
Das quinhentas e sessenta vezes que aparece na Bíblia, só cinco vezes é usado como nome próprio, o nome do primeiro homem. "Adão" designa a humanidade, quer dizer, o homem e a mulher.

Pregação de João Baptista

Foi no ano quinze do governo do imperador Tibério. Pôncio Pilatos era então governador da Judeia, Herodes governava a Galileia, seu irmão Filipe governava a Itureia e a Traconite. Lisânias governava a Abilena. Anás e Caifás eram os chefes dos sacerdotes.

Foi nessa altura que Deus falou no deserto a João, filho de Zacarias.

João foi por todas as terras junto do rio Jordão e pregava assim ao povo: "Arrependam-se do mal e recebam o baptismo para Deus vos perdoar os pecados." Isto aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro: "Alguém grita no deserto: Preparem o caminho do Senhor e abram-lhe estradas direitas. Todo o vale será aterrado, todo o monte e toda a colina serão aplanados. Os caminhos tortos serão endireitados e os pedregosos serão arranjados. E toda a humanidade verá a salvação de Deus." (Lc 3, 1-6)

Domingo II do Advento

O tema principal desta semana é a conversão, a preparação para a vinda do Senhor.

Na primeira leitura (Bar 5, 1-9) Deus promete a Israel dias de glória e de bênção, que porão fim ao cativeiro da Babilónia. Os membros do Povo eleito reunir-se-ão em volta de Jerusalém, constituindo uma nova nação, com destino próprio.

Na segunda leitura (Filip 1, 4-6.8-11) São Paulo alegra-se com a cooperação dada pelos cristãos de Filipos na divulgação do Evangelho, recomendado para que continuem a trabalhar na construção da Igreja.

O Evangelho (Lc 3, 1-6) situa-nos perante a pregação de João Baptista, um sermão de penitência para a remissão dos pecados, com vista a preparar os caminhos para a vinda do Senhor.

Amarelo é a cor escolhida para a vela que acendemos nesta segunda semana. Cor da luz, tenta recordar a chama que recebemos no Baptismo, sacramento que nos permite fazer parte do Povo de Deus.

Vaticano assinalou início do Advento

Bento XVI presidiu este Sábado à celebração das primeiras Vésperas do I Domingo do Advento, considerando que o tempo litúrgico de preparação para o Natal é de alegria interiorizada. A homilia do Papa concentrou-se no sentido da palavra “vinda” (em latim, “adventus”). Classificando o Advento como “tempo da presença e da expectativa do eterno”, Bento XVI observou que precisamente por isso é, de modo especial, tempo de alegria.

O Papa fez notar que no mundo antigo, advento era o termo técnico para indicar a chegada de um funcionário, ou a visita de um rei ou imperador. Podia indicar também a vinda de uma divindade, que sai do escondimento para manifestar a sua potência, ou que é celebrada no culto. Usando esta palavra desde o início da historia da Igreja, os cristãos queriam substancialmente dizer: “Deus está aqui, não se retirou do mundo, não nos deixou sós. Embora não O possamos ver e tocar, Ele está aqui e vem visitar-nos de múltiplos modos”. Para Bento XVI, a expressão “advento” inclui também a ideia de “visita”, visita de Deus, que “entra na minha vida e quer dirigir-se a mim”.

Bento XVI convidou os fiéis a “viver intensamente o presente, projectados para o futuro, um futuro denso de esperança”. “O Advento – concluiu Bento XVI – é o tempo da presença e da expectativa do eterno. Precisamente por esta razão é, de modo particular, o tempo da alegria, de uma alegria interiorizada, que nenhum sofrimento pode anular. A alegria pelo facto de que Deus se fez menino. É esta alegria, invisivelmente presente em nós, que nos encoraja a caminhar confiantes”.

A Palavra Cria

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o sopro de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: "Faça-se a luz." E a luz fez-se. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz das trevas. Deus chamou à luz "dia", e às trevas "noite". Aconteceu uma tarde, e aconteceu uma manhã: foi o primeiro dia.

E Deus disse: "Que haja um firmamento no meio das águas, e que ele separe as águas." Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por baixo do firmamento. E assim foi. Deus chamou ao firmamento "céu". Aconteceu uma tarde, e aconteceu uma manhã: foi o segundo dia.

E Deus disse: "Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus num só lugar, para aparecer terra firme." E assim foi. Deus chamou à terra firme "terra" e à massa das águas "mar". E Deus viu que isso era bom.

Deus disse: "Que a terra produza ervas, plantas que tenham sementes e árvores de fruto que dêem frutos contendo semente, segundo a sua espécie." E assim foi. A terra produziu a erva, plantas com sementes e árvores de fruto que deram frutos contendo sementes, segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o terceiro dia.

E Deus disse: "Haja luminários no firmamento dos céus para separar o dia da noite; que sirvam de sinais para marcar as festas, os dias e os anos; e que eles sejam, no firmamento dos céus, as luminárias que vão iluminar a terra." E assim foi. Deus fez duas grandes luminárias: a maior para reinar sobre o dia, a menor para reinar sobre a noite; também fez as estrelas. Deus colocou-as no firmamento dos céus para iluminar a terra, para reinar sobre o dia e sobre a noite, para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o quarto dia.

E Deus disse: "Que as águas sejam habitadas por uma profusão de seres vivos, e que as aves voem sobre a terra, sob o firmamento dos céus." Deus criou, segundo a sua espécie, os grandes monstros marinhos, todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves, segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Deus abençoou-os e disse estas palavras: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei os mares, que as aves se multipliquem sobre a terra." Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o quinto dia.

E Deus disse: "Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo a sua espécie." E assim foi. Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos segundo a sua espécie e os répteis segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança. Que ele seja senhor dos peixes do mar, das aves do céu, dos animais domésticos, de todos os animais selvagens, e de todos os répteis que rastejam sobre a terra." Deus criou o homem, à sua imagem, à imagem de Deus o criou, ele os criou homem e mulher. Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a. Sede os senhores dos peixes do mar, das aves do céu, e de todos os animais que se movem sobre a terra." Deus disse ainda: "Dou-vos todas as plantas que têm semente sobre a face da terra, e toda a árvore cujo fruto transporta uma semente: isso será o vosso alimento. Aos animais selvagens, às aves do céu, a tudo o que se move sobre a terra e que tem sopro de vida, dou como alimento toda a erva verde." E assim foi. E Deus viu tudo o que tinha feito: era muito bom. Aconteceu uma tarde, aconteceu uma manhã: foi o sexto dia.

Assim foram feitos o céu e a terra e todo o seu conjunto. No sétimo dia, Deus tinha concluído a sua obra. Ele repousou, no sétimo dia, de toda a obra que tinha feito. E Deus abençoou o sétimo dia: fez dele um dia sagrado porque, nesse dia, ele repousara de toda a obra de criação que tinha feito. Esta é a origem do céu e da terra, quando foram criados. (Gn 1, 1-31; Gn 2, 1-4)


Que princípio é este?
Em hebraico, a primeira palavra da Bíblia significa "num princípio" mas também "cabeça", o que implica a ideia de excelência ou de modelo, como se diz de um aluno que é o primeiro da sua turma. Assim, este princípio é muito importante. Os autores do Génesis não falam nem do começo do tempo, do primeiríssimo instante, nem do começo absoluto de todas as coisas. Para eles, este começo ou princípio, é o momento em que Deus decide criar.

A Força da Palavara
Para as civilizações vizinhas, mas antigas do que a Bíblia (mesopotâmica ou egípcia), a criação do mundo tem a ver, sobretudo, com um deus artesão e com algumas divindades que deviam combater as forças do caos. Encontra-se também o cenário de um parto resultante da união sexual dos deuses.
A narrativa bíblica guardou certos traços dos dois primeiros cenários, mas distingue-se pela insistência no facto de que Deus criou pela palavra: «Deus disse... e fez-se luz.» Os seis dias da narrativa da criaçção distinguem-se pelas "dez palvras" que Deus pronuncia para criar e organizar o mundo.

O Firmamento - Os antigos hebreus representavam a Terra como um disco plano, protegido por uma semi-esfera sólida: céu ou firmamento. Esta abóbada é iluminada por astros e rasgada por aberturas para deixar passar a chuva, o granizo , a neve.

Luminários - É o nome dos astros: estrelas, planetas, cometas. Na época bíblica, numerosos povos prestam um verdadeiro culto ao Sol ou à Lua. Contudo, os autores da Bíblia lançaram uma ideia nova: os atros não são divindades. Fazem parte da Criação, como o Céu e a Terra.

O Homem na Natureza
A criação do universo aparece, em toda a sua diversidade, como uma obra planificada e ordenada por Deus. Para coroar esta obra, deus cria o ser humano e confia-lhe o acompanhamento das coisas e o pleno desenvolvimento dos recursos do universo e da natureza. O ser humano está ligado, desde a sua criação, a este universo e à natureza que o rodeia, devendo agir em interacção com eles. A sua responsabilidade é grande, e ele deve exercê-la no prolongamento do gesto criador de Deus, para que a vida se multiplique e para que, transformando a natureza, possa contribuir para embelezar o universo.

Nós somos o espelho de Deus?
A palavra "imagem" tem o sentido de "representação", "efígie". A Bíblia emprega esta palavra a propósito dos reis que fazem erigir uma estátua em sua honra. Deus agiu como esses reis: mas, para se representar, escolheu o ser humano, livre e responsável, e não uma estátua imóvel, sem alma. Assim, Deus torna-se mais familiar, mais humano. Isto significa ainda que, no mais profundo do homem, há alguma coisa de divino. Mas atençção: para os autores da Bíblia, o homem não é Deus! Eles afirmam simplesmente que, naquilo que o homem tem de melhor, podemos encontrar a melhor imagem de Deus.

O sétimo dia, Dia Sagrado
Depois de ter criado o mundo em seis dias, Deus repousou um dia inteiro. Primeiro a civilização judaica, depois a cristã retomaram esta frase da Bíblia para organizar a sua própria vida e ritmar o tempo. Os judeus param de trabalhar ao sábado, dia do sabbat, enquanto os cristãos escolheram o domingo para celebrar Deus, em memória da ressurreição de Cristo.